
São Paulo, 17 de fevereiro de 2025 — A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) revisou sua previsão para a expansão da carteira de crédito no Brasil em 2025. A estimativa anterior, de crescimento de 9%, foi ajustada para 8,5%. A redução reflete um cenário econômico mais desafiador, com inflação persistente e juros elevados ao longo do ano
1. Novo patamar, nova realidade econômica
A expectativa revisada foi divulgada com base na Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas, realizada entre os dias 5 e 10 de fevereiro com 21 instituições financeiras
Para efeito de comparação, em 2024 o crédito cresceu expressivos 10,9%, segundo o Banco Central

2. Segmentos da carteira: livre x direcionado
A projeção consolidada de 8,5% inclui desempenhos distintos entre os tipos de crédito:
Carteira com recursos livres (empréstimos pessoais, cartão de crédito, cheque especial etc.) deve crescer 8,1%, revisada de 8,3% anteriormente
Crédito direcionado (habitacional, rural, BNDES e outras linhas reguladas) tem estimativa estável de 9,0%, levemente abaixo dos 9,7% de dezembro
Dentro desse panorama:
O crescimento esperado para famílias foi ajustado de 9,1% para 8,6%;
Já para empresas, a previsão caiu de 7,8% para 7,1%
- Causas da revisão: inflação, juros e cautela fiscal
Segundo Rubens Sardenberg, diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban, a revisão reflete a deterioração do cenário macroeconômico: inflação mais intensa, juro elevado e ambiente fiscal incerto
A pesquisa mostrou que 76,2% dos executivos ouvidos esperam que a taxa Selic ultrapasse 14,25% ao ano, com mediana projetada em até 15,25% até junho, permanecendo nesse patamar até o fim do terceiro trimestre
Além disso, a maioria dos analistas projeta inflação em torno de 5,5%, enquanto cerca de um terço acredita que o índice possa alcançar ou superar 6% ao longo de 2025
- Impactos no câmbio, inadimplência e PIB
A pesquisa também abordou outras variáveis relevantes:
A taxa de câmbio deve apresentar leve depreciação, com o dólar estimado em torno de R$ 5,95 até setembro de 2025, em comparação com expectativas anteriores próximas de R$ 6,00
A projeção para a inadimplência na carteira com recursos livres caiu ligeiramente, de 4,7% para 4,6%, reflexo da maior cautela na concessão de crédito
Para o PIB, cerca de 52,4% dos bancos projetam crescimento de ~2,0% em 2025, embora haja um viés de baixa crescente — com 33,3% indicando desaceleração maior do que antes
- Evolução das expectativas desde março
Em abril de 2025, uma nova rodada da pesquisa captou uma discreta elevação nas projeções para o crédito. A estimativa subiu de 8,5% para 8,6%, impulsionada por:
Cartões de crédito e cheque especial (recursos livres) passando de 8,1% para 8,2%;
Crescimento estimado para pessoas físicas subiu para 9,0% (de 8,6%);
Operações para empresas, de 7,1% para 7,2%;
Crédito direcionado manteve-se estável em 9%
A previsão revisada indicou uma leve alta da inadimplência, de 4,6% para 4,7% até o fim de 2025
- Por que o crédito ainda deve crescer em 2025
Mesmo diante de um cenário mais moderado, a Febraban mantém uma visão positiva para o desempenho do crédito. O setor espera crescer de forma “interessante”, mesmo em meio à desaceleração econômica
Condições de mercado de trabalho aquecido, aumento contínuo de benefícios sociais e o lançamento do programa Crédito ao Trabalhador estão entre os fatores que devem sustentar a demanda, especialmente entre famílias
- Vantagens e riscos para famílias e empresas
Famílias: conseguem aproveitar crédito consignado mais barato, mercado de trabalho favorável e políticas de renda que estimulam consumo. Contudo, os juros altos podem limitar o apetite por novos empréstimos e elevar os custos das parcelas.
Empresas: devem se beneficiar de linhas direcionadas como BNDES e crédito rural, mas a pressão de custos e de juros reduz a atratividade e torna os investimentos e expansões mais cautelosos.
- Cenário comparativo: 2024 vs. 2025
Ano Crescimento total do crédito Carteira livre Carteira direcionada Inadimplência prevista
2024 10,9% (real) — — ~4,1%
2025 (fev) 8,5% projetado 8,1% 9,0% 4,6%
2025 (abr) 8,6% projetado 8,2% 9,0% 4,7%
Essa transição marca uma desaceleração natural, mas ainda indica expansão acima da inflação e da taxa de crescimento do PIB
Conclusão
A nova projeção da Febraban para 8,5% de crescimento no crédito em 2025 revela cautela diante de um cenário econômico mais complexo — marcando uma desaceleração frente ao avanço de 10,9% em 2024. Apesar desse clima de incerteza, as condições de oferta e demanda ainda são favoráveis para que famílias e empresas acessem recursos — com destaque para a carteira direcionada, programas sociais e o crédito consignado.
O desafio está em monitorar variáveis como inflação, Selic, câmbio e desempenho fiscal, que podem alterar as expectativas ao longo do ano. Até mesmo revisões modestamente para cima — como a elevação para 8,6% em abril — indicam que o mercado financeiro continua otimista com possibilidades de crescimento, mesmo com riscos persistentes.
Referências principais:
Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas da Febraban (fevereiro e abril de 2025) com 21–22 bancos entrevistados
Dados do Banco Central referentes ao crescimento de crédito em 2024 (10,9%)
