O segundo trimestre de 2025 marcou um ponto de virada para a Guararapes Confecções S.A., controladora da rede Riachuelo e da financeira Midway. Após um início de ano desafiador, com prejuízo no 1T25, a companhia conseguiu não apenas reverter o resultado negativo, mas também superar amplamente as expectativas do mercado. O lucro líquido consolidado foi de R$ 143,2 milhões, alta expressiva de 151,2% em relação ao mesmo período de 2024.
A performance impressionou investidores e analistas, provocando uma forte reação na B3. As ações ordinárias da empresa (GUAR3) chegaram a subir mais de 11% no pregão seguinte à divulgação dos resultados, liderando as altas do índice Ibovespa no dia.

Receita em alta e margens mais robustas
No trimestre, a receita líquida da Guararapes alcançou R$ 2,635 bilhões, avanço de 13,9% na comparação anual. Esse crescimento foi impulsionado principalmente pela retomada das vendas no varejo de moda, pela eficiência operacional e pela boa performance da financeira Midway.
O EBITDA ajustado — lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização — atingiu R$ 435,7 milhões, alta de 21,1% frente ao 2T24. A margem EBITDA ajustada subiu 1 ponto percentual, chegando a 16,5%, refletindo uma gestão mais rigorosa de custos e melhor aproveitamento das economias de escala.
As despesas operacionais somaram R$ 929,7 milhões, crescimento de 13,5% no período, em linha com o aumento da receita, o que demonstra controle de gastos mesmo em um cenário de expansão.
Alavancagem em queda e caixa mais saudável
A empresa encerrou o trimestre com dívida líquida de R$ 772,6 milhões, redução significativa em relação ao mesmo período do ano anterior. A relação dívida líquida/EBITDA caiu para 0,5 vez, um nível considerado bastante confortável. Esse recuo se deve tanto à geração de caixa operacional quanto à disciplina financeira na gestão do capital de giro.
Essa desalavancagem dá à Guararapes maior flexibilidade para investir em expansão de lojas, inovação em produtos e modernização de canais digitais, sem depender excessivamente de novos financiamentos.
Midway: braço financeiro em crescimento
A Midway, instituição financeira do grupo, também apresentou resultados sólidos no 2T25. O EBITDA foi de R$ 111 milhões, crescimento de 24% na base anual.
Um dos destaques foi a melhora na qualidade da carteira de crédito. A inadimplência de cartões recuou de 7,6% para 6,9%, enquanto nos empréstimos pessoais caiu de 12,1% para 11,1%. Mesmo com essa queda nos índices de atraso, a empresa optou por aumentar a provisão para perdas, que chegou a R$ 200 milhões, adotando uma postura prudente diante do ambiente macroeconômico.
A Midway tem se beneficiado da integração com o varejo da Riachuelo, oferecendo soluções financeiras diretamente no ponto de venda e em canais digitais, o que amplia o engajamento e a fidelização dos clientes.
Moda: inovação e vendas mais fortes
O segmento de moda foi outro motor de crescimento. As vendas nas mesmas lojas (same-store sales) de vestuário avançaram 15,8% no trimestre, impulsionadas por lançamentos inovadores e por um mix de produtos mais equilibrado entre preço e volume.
A Guararapes também vem investindo em verticalização, integrando de forma mais estreita a produção industrial e o varejo. Isso permite maior controle sobre prazos, qualidade e custos, além de viabilizar respostas mais rápidas às tendências de consumo.
Entre os produtos de destaque, a companhia lançou camisetas tecnológicas, peças com tecidos sustentáveis e coleções cápsula alinhadas a eventos e datas comemorativas, o que ajudou a diferenciar a oferta em um mercado altamente competitivo.
Estratégia omnichannel consolidada
Nos últimos anos, a Guararapes tem acelerado sua estratégia omnicanal, integrando as operações de lojas físicas e digitais. Estoques unificados, entregas mais rápidas e a possibilidade de retirada em loja são recursos que se tornaram padrão na rede.
Essa abordagem não apenas amplia as vendas, mas também melhora a experiência do cliente, gerando fidelização. No 2T25, o canal digital manteve participação relevante no faturamento, mesmo com a recuperação do fluxo nas lojas físicas.
Comparação com o trimestre anterior
O contraste com o desempenho do 1T25 é marcante. Naquele período, a companhia registrou prejuízo de R$ 26,7 milhões, impactada por fatores sazonais e por custos de ajuste de estoque. A rápida recuperação no 2T25 mostra a capacidade da empresa de se adaptar às condições de mercado e de capturar oportunidades de venda, especialmente em datas-chave como o Dia das Mães e promoções sazonais.
Reação do mercado e visão de analistas
A forte alta das ações (entre 10% e 13% no dia) refletiu não apenas a surpresa positiva com os números, mas também a percepção de que a Guararapes está retomando um ciclo de crescimento consistente.
Segundo analistas, o lucro do 2T25 ficou cerca de 43% acima das projeções de consenso, que estimavam R$ 100 milhões. O EBITDA também superou as expectativas em aproximadamente 6%.
O Santander manteve recomendação neutra para GUAR3, reconhecendo a evolução operacional, mas alertando para desafios, como o ambiente de juros altos e a necessidade de manter o ritmo de transformação digital. O preço-alvo para dezembro foi fixado em R$ 10 por ação.
Perspectivas para o 2º semestre de 2025
O segundo semestre costuma ser mais forte para o varejo de moda, impulsionado por datas como Dia das Crianças, Black Friday e Natal. A expectativa é que a Guararapes continue colhendo frutos da sua estratégia de inovação, verticalização e omnicanalidade.

Além disso, a empresa deverá manter foco no fortalecimento da Midway, ampliando a oferta de serviços financeiros e explorando sinergias com o varejo.
No campo financeiro, a desalavancagem já alcançada dá espaço para investimentos estratégicos sem comprometer a solidez do balanço.
Conclusão
O resultado do 2T25 mostra uma Guararapes mais eficiente, inovadora e preparada para enfrentar a concorrência acirrada do setor de moda e varejo. A combinação de crescimento de receita, expansão de margens, disciplina financeira e integração com a Midway fortalece a posição da companhia no mercado brasileiro.
Se o ritmo atual for mantido, o segundo semestre pode consolidar 2025 como um dos melhores anos da última década para a empresa.
Resumo dos principais números do 2T25:
Lucro líquido: R$ 143,2 milhões (+151,2% YoY)
Receita líquida: R$ 2,635 bilhões (+13,9% YoY)
EBITDA ajustado: R$ 435,7 milhões (+21,1% YoY)
Margem EBITDA: 16,5% (+1 p.p.)
Dívida líquida: R$ 772,6 milhões (0,5x EBITDA)
Midway – EBITDA: R$ 111 milhões (+24% YoY)
Same-store sales (vestuário): +15,8%
