FIIs de Shopping Centers: A Retomada Pós-Pandemia e as Oportunidades para Investidores

Os fundos de investimento imobiliário (REITs) focados em shopping centers são um foco importante para investidores que buscam valorização do mercado pós-pandemia. Após um período desafiador marcado por restrições de circulação e queda no consumo físico, o setor começa a mostrar fortes sinais de recuperação, impulsionado pela recuperação econômica, reabertura total de estabelecimentos e mudanças no comportamento do consumidor.

Mas será que os REITs de shopping centers estão realmente preparados para uma recuperação sustentável? Quais riscos e oportunidades os investidores devem considerar? Neste artigo, analisamos a situação atual, as tendências que moldam o setor e as perspectivas para os próximos anos.

O Impacto da Pandemia nos REITs de Shopping Centers
Os shopping centers foram um dos setores mais impactados pela pandemia de COVID-19. As medidas de distanciamento social, o fechamento de lojas e o boom do comércio eletrônico reduziram significativamente o tráfego de pessoas, impactando diretamente as receitas dos varejistas e, consequentemente, sua capacidade de pagar o aluguel.

Durante o período de lockdown, muitos REITs de shopping centers registraram quedas significativas na receita, exigindo renegociações de contratos, descontos e até mesmo isenções temporárias. As taxas de vacância aumentaram e os rendimentos de dividendos diminuíram significativamente.

No entanto, essa situação começou a mudar em meados de 2022, com o relaxamento das restrições e o retorno dos consumidores às lojas físicas. A experiência de compra física, aliada ao apelo de lazer e entretenimento dos shopping centers, provou ser uma vantagem competitiva em relação ao comércio eletrônico.

Situação Atual: Sinais de Recuperação Sustentada
Em 2024, os dados começaram a refletir uma recuperação sustentada. O tráfego de pedestres em muitos shopping centers se aproximou dos níveis pré-pandemia, e os varejistas retomaram o crescimento das vendas, impulsionado pelo aumento da confiança do consumidor e pelo retorno de eventos e promoções presenciais.

Relatórios de gestão dos principais REITs de shopping centers observaram:

Redução da Taxa de Vacância: Muitos fundos reaproveitaram com sucesso espaços anteriormente vagos para capitalizar a demanda por novas marcas e operações de serviços.

Recuperação da Receita: A receita de aluguéis fixos e flutuantes (vinculados às vendas) recuperou-se para níveis satisfatórios, alcançando crescimento real em relação a 2019.

Aumento de Dividendos: As distribuições de renda estão começando a se normalizar, atraindo a atenção renovada dos investidores.

Shoppings localizados em áreas densamente povoadas e que oferecem uma gama diversificada de lojas e serviços foram os primeiros a se recuperar. Fundos como HSML11 (Shoppings Hang Seng Index), XPML11 (Shoppings XP) e VISC11 (Shoppings Vinci) apresentaram desempenho particularmente bom, com melhorias significativas nas métricas operacionais.

Tendências que Impulsionam os REITs de Shopping Centers
A recuperação dos REITs de shopping centers não é impulsionada apenas por uma recuperação nos fluxos de consumidores físicos. Diversas tendências estruturais estão aumentando o apelo desse segmento a médio e longo prazo:

  1. Transformação em Centros de Experiência
    Os shopping centers estão evoluindo de meros shopping centers para se tornarem polos de lazer, gastronomia, saúde e serviços. Cinemas, academias, clínicas médicas, espaços de coworking e até mesmo locais para eventos estão prosperando, aumentando a frequência de visitas e o tempo de permanência dos clientes.
  2. Omnichannel e Click-and-Collect
    A convergência dos mundos físico e digital está se tornando uma realidade. Os shoppings estão investindo em soluções omnichannel, como click-and-collect e plataformas de marketplace proprietárias, para criar novas fontes de receita e gerar sinergias com o e-commerce.
  3. Adotando Locações Mais Flexíveis
    Após a pandemia, muitos fundos revisaram suas estratégias de locação, priorizando contratos com prazos de aluguel variáveis, atrelados ao desempenho das vendas. Isso alinha os interesses dos varejistas e dos shoppings e oferece maior potencial de crescimento durante a recuperação econômica.
  4. A Resiliência do Consumo Offline
    Mesmo com o mercado de e-commerce em expansão, os consumidores brasileiros continuam valorizando a experiência de compra offline, principalmente em categorias como moda, alimentação e entretenimento. Essa característica cultural garante a relevância dos shoppings a médio e longo prazo.

Riscos e Desafios a Observar
Apesar da perspectiva positiva, os investidores devem estar cientes dos diversos desafios enfrentados pelos fundos de investimento imobiliário (REITs) de shopping centers:

  1. Concorrência do e-commerce
    Apesar da ênfase em experiências presenciais, o e-commerce continuará pressionando alguns setores do varejo. A capacidade dos shopping centers de se adaptarem aos modelos omnicanal será crucial para a manutenção da competitividade.
  2. Condições Macroeconômicas
    O desempenho dos shopping centers está diretamente relacionado aos níveis de consumo das famílias. Fatores como inflação, altas taxas de juros (SELIC) e uma potencial desaceleração econômica podem impactar negativamente as vendas e, consequentemente, a receita do fundo.
  3. Gestão Ativa de Projetos
    A qualidade da gestão de ativos será um diferencial fundamental. Fundos com equipes experientes, estratégias claras para a revitalização de shopping centers e relacionamentos sólidos com os varejistas tendem a apresentar desempenho superior.

Perspectivas para os REITs de Shopping Centers nos Próximos Anos
As previsões para o setor de REITs de shopping centers sugerem um ciclo de valorização a médio prazo, impulsionado por:

Os rendimentos dos dividendos estão se recuperando gradualmente, aproximando-se de suas médias históricas;

O potencial para uma reprecificação de ações, especialmente para fundos que ainda são negociados com desconto em relação ao valor contábil;

A integração de shoppings em ativos estratégicos, juntamente com a expansão da oferta de serviços e a integração digital.

A perspectiva é ainda mais promissora para fundos com carteiras diversificadas que detêm ações em shoppings de alto padrão em localizações privilegiadas. Esses ativos tendem a capturar melhor o crescimento do consumidor e são mais resilientes em períodos de volatilidade econômica.

Além disso, o potencial para taxas de juros mais baixas da SEC no próximo ciclo beneficiará os REITs de shoppings de duas maneiras: primeiro, a renda flutuante se tornará mais atraente em comparação à renda fixa; e, segundo, estimulará o crédito ao consumidor e impulsionará as vendas das lojas.

Conclusão: Os REITs de shoppings são um bom investimento?
Os REITs de shopping centers estão passando por um ressurgimento, impulsionados por uma combinação de recuperação operacional, transformação estrutural e potencial valorização nos mercados financeiros. Para investidores que buscam exposição diversificada, foco no consumo doméstico e retornos consistentes, os fundos desse setor são, mais uma vez, uma opção valiosa.

No entanto, esses ativos devem ser analisados cuidadosamente, considerando fatores como localização do projeto, qualidade da gestão, taxas de vacância, contratos de locação e perspectiva macroeconômica.

A recuperação está em andamento, mas a seleção é fundamental para aproveitar as melhores oportunidades.