O segundo trimestre de 2025 entrou para a história da Minerva Foods como um dos períodos mais brilhantes de sua trajetória no setor de proteína animal. A companhia, líder em exportação de carne bovina na América do Sul, apresentou resultados robustos que superaram de forma expressiva as projeções do mercado, reforçando sua posição como um dos principais players globais do segmento.
De acordo com o balanço financeiro divulgado nesta segunda-feira (11), a Minerva alcançou um lucro líquido de R$ 458,3 milhões entre abril e junho deste ano, um salto de 380,2% em relação ao mesmo trimestre de 2024, quando havia registrado R$ 95,4 milhões. Mais impressionante ainda foi o desempenho da receita líquida, que atingiu R$ 13,9 bilhões, representando um crescimento de 81,6% na comparação anual.

Os números não apenas confirmam a força operacional da companhia, mas também revelam que a estratégia de expansão e diversificação geográfica adotada nos últimos anos tem dado frutos. Segundo analistas, o desempenho do 2T25 ficou muito acima do esperado: o mercado projetava um lucro na faixa de R$ 175 milhões, o que significa que a Minerva entregou um resultado quase três vezes superior às estimativas.
Desempenho financeiro impressionante
O grande salto na receita e no lucro líquido foi acompanhado por um avanço significativo no EBITDA ajustado — indicador que mede o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização. No segundo trimestre, a empresa registrou R$ 1,3 bilhão de EBITDA, alta de 74,9% frente ao mesmo período do ano passado. A margem EBITDA ficou em 9,3%, levemente abaixo do ano anterior devido à integração de novas operações, mas ainda em patamar considerado saudável.
Além do crescimento expressivo da receita, a Minerva apresentou um sólido controle de custos, aproveitando a integração de novas plantas adquiridas da Marfrig. Essas unidades, incorporadas no final de 2024, já começaram a mostrar impacto positivo, gerando cerca de R$ 3 bilhões em receita bruta somente neste trimestre.
Outro ponto de destaque foi a forte geração de caixa operacional. O fluxo de caixa livre da companhia somou R$ 812 milhões no 2T25, reforçando sua capacidade de reduzir dívidas e financiar investimentos estratégicos. A alavancagem, medida pela relação dívida líquida/EBITDA, caiu para 3,16 vezes, abaixo dos 3,4 registrados no trimestre anterior.
Integração das novas plantas e sinergias operacionais
Um dos fatores centrais para o desempenho recorde foi a rápida integração das 16 plantas frigoríficas adquiridas da Marfrig no Brasil, Argentina, Uruguai e Chile. Esse movimento estratégico ampliou a capacidade de abate e diversificou a base produtiva, permitindo à Minerva otimizar sua logística e atender novos mercados com maior eficiência.
Segundo o CEO Fernando Queiroz, a integração superou as expectativas iniciais:
“Acreditávamos que as sinergias seriam percebidas ao longo de dois anos, mas já no primeiro semestre estamos colhendo resultados consistentes. A entrada dessas unidades fortaleceu nosso portfólio de marcas e ampliou nossa presença internacional.”
Com mais unidades distribuídas estrategicamente, a empresa conseguiu reduzir custos de transporte, aproveitar melhor os ciclos pecuários regionais e melhorar a negociação com fornecedores, aumentando a margem de lucro operacional.
Exportações e presença global
O mercado externo continua sendo o grande motor de crescimento da Minerva. Aproximadamente 60% da receita bruta da companhia no 2T25 veio das exportações, com destaque para a China, Estados Unidos, Oriente Médio e países do Sudeste Asiático.
A demanda chinesa, em especial, segue em trajetória de alta, impulsionada pela necessidade de recompor estoques e atender uma população cada vez mais consumidora de proteína animal. Já nos Estados Unidos, o ciclo pecuário desfavorável reduziu a oferta doméstica, abrindo espaço para importações — e a Minerva se posicionou de forma agressiva para suprir parte dessa demanda.
A companhia também manteve forte presença em mercados emergentes, como Arábia Saudita, Emirados Árabes e Indonésia, beneficiando-se de acordos comerciais e certificações sanitárias que garantem acesso privilegiado a esses destinos.
Estratégias para driblar desafios tarifários
O período também foi marcado por tensões comerciais, especialmente com a imposição de tarifas adicionais por parte dos Estados Unidos sobre alguns produtos de carne bovina. Antecipando possíveis impactos, a Minerva adotou estratégias defensivas, como antecipação de embarques e formação de estoques estratégicos, garantindo contratos de venda antes da entrada em vigor das medidas.
Essa postura proativa evitou perdas e assegurou que a empresa mantivesse o ritmo de exportações, mesmo em um cenário de maior protecionismo. Além disso, a diversificação de mercados atenuou o risco de dependência excessiva de qualquer destino específico.
Perspectivas para o restante de 2025
O desempenho extraordinário do segundo trimestre reforçou a confiança da administração no guidance para o ano. A empresa mantém a previsão de crescimento de dois dígitos na receita anual e espera continuar melhorando a margem operacional à medida que as sinergias das novas plantas sejam plenamente capturadas.
No front financeiro, a redução gradual do endividamento é prioridade, permitindo à Minerva manter flexibilidade para novos investimentos e eventuais aquisições. A expectativa também é de que a demanda global por carne bovina se mantenha firme, sustentada pelo crescimento econômico em mercados emergentes e pela oferta limitada em alguns países produtores.

Analistas do setor apontam que, mesmo diante de possíveis volatilidades cambiais e incertezas geopolíticas, a Minerva se encontra em posição privilegiada para sustentar sua trajetória de crescimento. A diversificação geográfica, a eficiência operacional e o foco em exportações de alto valor agregado são diferenciais competitivos relevantes.
Visão estratégica e inovação
Além da performance financeira, a Minerva tem investido em tecnologia e sustentabilidade para fortalecer sua posição no mercado global. Projetos voltados para rastreabilidade bovina, redução da pegada de carbono e uso eficiente de recursos hídricos estão no centro das iniciativas ESG (ambientais, sociais e de governança) da companhia.
A empresa também aposta no uso de ferramentas de análise de dados e inteligência artificial para otimizar processos, prever demandas e gerenciar riscos, garantindo maior previsibilidade nas operações e decisões mais assertivas.
Conclusão
O segundo trimestre de 2025 confirmou que a Minerva Foods vive um momento único de expansão e fortalecimento de mercado. O lucro líquido recorde de R$ 458,3 milhões, a receita líquida de R$ 13,9 bilhões e o EBITDA de R$ 1,3 bilhão não apenas superaram expectativas, como consolidaram a empresa entre as líderes globais do setor de proteína animal.
A integração bem-sucedida das plantas adquiridas, o foco no mercado externo e as estratégias inteligentes para mitigar riscos comerciais demonstram que a Minerva não apenas reagiu bem a desafios, mas soube transformá-los em oportunidades.
Com perspectivas positivas para o restante do ano e uma base operacional mais sólida, a companhia caminha para encerrar 2025 com resultados ainda mais expressivos, mantendo-se como referência em competitividade, inovação e sustentabilidade no setor de carnes.
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